Por Juan Carlos Pereira (CFC-GS/UFPA)
Os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) exercem um papel central no financiamento climático, atuando como intermediários estratégicos entre compromissos internacionais e a implementação concreta de políticas climáticas nos países em desenvolvimento. Essas instituições não apenas fornecem recursos financeiros para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, mas também contribuem para a redução de riscos, a estruturação de projetos e o fortalecimento de capacidades institucionais nacionais.
No contexto da COP 30, os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento reafirmaram seu papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas ao anunciar novas iniciativas voltadas ao fortalecimento da adaptação climática em países em desenvolvimento. Entre as principais ações divulgadas, destacou-se a elaboração de um relatório técnico que apresenta métricas, metodologias e diretrizes destinadas a aprimorar a aplicação dos recursos financeiros, bem como a identificar entraves institucionais e operacionais que dificultam a implementação de projetos de adaptação.
Paralelamente, foi anunciado um reforço financeiro aos Fundos de Investimento Climático (CIF), com um aporte inicial aproximado de US$ 100 milhões, proveniente de contribuições da Alemanha e da Espanha, direcionado ao programa ARISE, cujo objetivo é ampliar a resiliência econômica e social diante dos impactos climáticos. Esse financiamento busca apoiar iniciativas capazes de antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades antes da ocorrência de eventos extremos, como enchentes, secas e tempestades, conforme ressaltado por representantes dos próprios BMDs e da Organização das Nações Unidas.
Ademais, uma das inovações destacadas foi a introdução das chamadas Cláusulas de Dívida Resiliente ao Clima, mecanismo que permite a suspensão temporária do pagamento do principal da dívida em situações de calamidade, reduzindo a pressão fiscal sobre os países afetados (BID). Além disso, o BID Invest anunciou programas direcionados ao setor privado, voltados à proteção de investimentos contra choques climáticos, com o objetivo de estimular a continuidade de aportes em áreas estratégicas como agronegócio, infraestrutura, energia e turismo.
Nos últimos anos, os BMDs vêm ampliando de forma consistente o volume de recursos destinados à adaptação, alcançando dezenas de bilhões de dólares anuais e estabelecendo metas ainda mais elevadas até 2030, tanto em termos de financiamento direto quanto de mobilização de capital privado. Contudo, reconhece-se a persistência de desafios estruturais, como limitações fiscais dos Estados, dificuldades na preparação de projetos e baixa atratividade para o setor privado.
Diante desse cenário, os bancos defendem o fortalecimento da coordenação entre políticas públicas, o uso mais estratégico de recursos concessionais e a conversão de estratégias climáticas em projetos financeiramente viáveis, reforçando a centralidade dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento no financiamento da adaptação climática no âmbito das negociações e compromissos assumidos na COP 30.
REFERÊNCIAS
BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO (BID). Bancos Multilaterais de Desenvolvimento se unem na COP30 em chamado à ação pela resiliência e resultados. Belém: BID, 10 nov. 2025. Disponível em: https://www.iadb.org/pt-br/noticias/bancos-multilaterais-de-desenvolvimento-se-unem-na-cop30-em-chamado-acao-pela-resiliencia-e. Acesso em: 31 jan. 2026.
MARQUES, Laura. Bancos multilaterais de desenvolvimento anunciam medidas para acelerar adaptação à mudança do clima. COP30 Brasil, 10 nov. 2025. Disponível em: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/bancos-multilaterais-de-desenvolvimento-anunciam-medidas-para-acelerar-adaptacao-a-mudanca-do-clima. Acesso em: 31 jan. 2026.