FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO E FINANCIAMENTO CLIMÁTICO NO CONTEXTO DO COMBATE ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Murilo Henrique Fonseca e Douglas Alencar

Este artigo analisa o financiamento climático sob a perspectiva pós-keynesiana do financiamento do investimento, contrastando-a com a abordagem convencional do financiamento do desenvolvimento. O objetivo é avaliar a compatibilidade das propostas recentes de financiamento climático, especialmente aquelas discutidas no âmbito do G20 e das Conferências das Partes (COPs), com os fundamentos da teoria pós-keynesiana. A metodologia combina revisão bibliográfica, análise histórico-documental da evolução das COPs e análise descritiva de dados sobre os fluxos de financiamento climático destinados ao Brasil, utilizando informações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os resultados mostram que os mecanismos internacionais de financiamento climático ampliaram os recursos destinados à mitigação e adaptação, com predominância de investimentos no setor de energia. À luz da teoria pós-keynesiana, observa-se que o financiamento climático depende da criação de liquidez, da atuação ativa do Estado e da disponibilidade de crédito de longo prazo, e não da existência prévia de poupança. Conclui-se que os avanços recentes apresentam convergência parcial com essa abordagem, embora persistam limitações quanto ao volume e à estabilidade dos recursos mobilizados.

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