Chegada do El Niño, desastres naturais e aumento do debate sobre financiamento climático no Brasil.

Por Yandra França (CFC-GS/UFPA)

O El Niño chegou ao Brasil e com ele reacendem os debates sobre financiamento climático e a urgência sobre a transição climática. Desastres naturais como enchentes, secas e ondas de calor vem se tornando pontos de alerta no cotidiano brasileiro, esses fenômenos escancaram de maneira impetuosa que a crise climática não é apenas uma agenda ambiental, e sim uma questão econômica, social, urbana e sanitária.

As secas severas da Amazônia ocorridas em 2023 afetaram rios, comunidades ribeirinhas, transporte, pesca e segurança alimentar. Segundo a World Weather Attribution, a Bacia Amazônica enfrentou, desde meados de 2023, uma seca excepcional, marcada por baixa precipitação e temperaturas persistentemente elevadas. O estudo aponta que, embora o El Niño tenha influência sobre a redução das chuvas na região, a mudança climática foi o principal fator de intensificação da seca.

No outro extremo do Brasil, em abril de 2024 o Rio Grande do Sul comoveu o território nacional, mais de 42 mm de chuva atingiram o estado, afetando mais de 90% do território gaúcho, deslocando milhares de pessoas, interrompendo serviços essenciais e expondo a fragilidade em sistemas de drenagem, proteção contra cheias e planejamento urbano. Segundo o Governo Federal, foram injetados R$ 2,2 bilhões em auxilio para a população atingidas pelo desastre (GOV,2025).

As ondas de calor crescentes no território brasileiro revelam que esses desastres não são fatos isolados, ou apenas influenciados pelo fenômeno el niño, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado na história do planeta (Cemaden, 2026), com 7 ondas de calor e seca extrema em diversas regiões (ONU,2026). Logo, o financiamento climático tornou-se tema central porque os desastres recentes demonstraram que agir somente após a tragédia é insuficiente e economicamente mais oneroso.

O plano clima 2024-2035, do Ministério do Meio Ambiente estrutura a política climática em mitigação, adaptação e estratégias transversais. Alguns instrumentos de financiamento climático como Fundo Clima e o Fundo Amazônia apoiam e financiam projetos voltados a essas estruturas. Contudo, as pautas sobre mitigação continuam superiores às de adaptação climática, desastres e infraestrutura resiliente. Conforme a Terra continua aquecendo, a necessidade de adaptação aumenta.

No âmbito federal, em 2025 o governo brasileiro lançou o AdaptaCidades, com intuito de fortalecer a atuação de estados e municípios na agenda de adaptação à mudança climática, apoiando a elaboração de planos municipais ou regionais de adaptação ( GOV, 2025). Assim como, na COP 30 sediada em Belém, no coração da Amazônia Legal, o Estado brasileiro apresentou o projeto AdaptAÇÃO, que visa promover soluções integradas de planejamento urbano resiliente, oferecendo suporte as prefeituras, especialmente aquelas com menor estrutura técnica, para que incorporem a adaptação às decisões de uso e ocupação do solo (COP30, 2025). Já que, Os municípios acabam respondendo diretamente a população quando os desastrem ocorrem. Entretanto apenas 13% das prefeituras brasileiras tem seu plano de adaptação climática publicado.

Fonte: Nota técnica Transparência em adaptação climática em Governos Municipais, ITGP. Junho/2026

Os debates sobre financiamento climático estão cada vez mais fortes e ricos, pressionando governos, mercados e sociedade civil a olhar para as desordens ambientais, as tragédias climáticas e o aquecimento global, agora como um problema econômico-social que afeta todos os habitantes da Terra de maneira íntima, e não como uma utopia distante ou manchetes sensacionalistas de jornais.

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REFERÊNCIAS:

BRASIL. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Relatório anual do Cemaden aponta 2025 com recordes de calor e seca prolongada. Cemaden, 27 fev. 2026. Atualizado em: 26 mar. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/noticias-cemaden/relatorio-anual-do-cemaden-aponta-2025-com-recordes-de-calor-e-seca-prolongada. Acesso em: 24 jun. 2026.

BRASIL. Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Mais R$ 3,3 bilhões para recuperação do Rio Grande do Sul. Brasília, DF: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, 26 nov. 2025. Atualizado em: 28 nov. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mdr/pt-br/noticias/mais-r-203-8-milhoes-para-recuperacao-do-rio-grande-do-sul. Acesso em: 24 jun. 2026.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. AdaptaCidades. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/smc/adaptacidades. Acesso em: 24 jun. 2026.

COP30 BRASIL. Brasil apresenta projeto que fortalece adaptação urbana frente às mudanças do clima na COP30. COP30 Brasil, 30 out. 2025. Disponível em: https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/brasil-apresenta-projeto-que-fortalece-adaptacao-urbana-frente-as-mudancas-do-clima-na-cop30. Acesso em: 24 jun. 2026.

ONU NEWS. Brasil registrou sete ondas de calor e seca extrema em diversas regiões em 2025. ONU News, 18 maio 2026. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2026/05/1853175. Acesso em: 24 jun. 2026.

TRANSPARÊNCIA INTERNACIONAL – BRASIL. Adaptação climática nos municípios: apenas 13% têm plano publicado. Transparência Internacional – Brasil, 2 jun. 2026. Disponível em: https://transparenciainternacional.org.br/posts/adaptacao-climatica-nos-municipios-apenas-13-tem-plano-publicado/. Acesso em: 24 jun. 2026.

WORLD WEATHER ATTRIBUTION. Climate change, El Niño and infrastructure failures behind massive floods in southern Brazil. World Weather Attribution, 3 jun. 2024. Disponível em: https://www.worldweatherattribution.org/climate-change-made-the-floods-in-southern-brazil-twice-as-likely/. Acesso em: 24 jun. 2026.

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