Por Yandra França (CFC-GS/UFPA)
Por síntese, entende-se como Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) as instituições financeiras públicas fundadas e mantidas com contribuição dos países membros, que financiam projetos voltados ao desenvolvimento econômico e social dos países clientes. Atualmente, existem cerca de 30 BMDs, tanto de atuação regional quanto mundial (BRASIL, 2023).
Na COP29, realizada em Baku, os BMDs estabeleceram um compromisso financeiro de ajudar os países a alcançar resultados climáticos, no mínimo, ambiciosos. Comprometeram-se a atingir, até 2030, o montante de US$ 120 bilhões anuais em financiamento climático coletivo para países de baixa e média renda e US$ 50 bilhões anuais para países de alta renda. Dessa maneira, dentro do financiamento climático, tornam-se cruciais ao oferecer recursos públicos e mobilizar investimentos privados para projetos de mitigação e adaptação.
É possível financiar desde energia renovável até infraestrutura resiliente, integrando objetivos climáticos e de desenvolvimento sustentável. Conforme relatório divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (2025), o financiamento climático global por BMDs aumentou 10% no último ano, atingindo um recorde de US$ 137 bilhões, com a maior parte direcionada a economias de baixa e média renda. O financiamento desses países mais que dobrou ao longo dos últimos cinco anos, sendo 69% destinado à mitigação e 31% à adaptação às mudanças climáticas.
Paralelamente, o financiamento privado mobilizado por esses bancos com o intuito de combater o aquecimento global alcançou US$ 134 bilhões em 2024, um aumento de 22% em comparação a 2023 (BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO, 2025). Já as economias de alta renda alcançaram um total de US$ 51,5 bilhões, dos quais 90% foram destinados à mitigação, enquanto apenas 10% se destinaram à adaptação. Esses números comprovam a efetividade da tentativa de alcançar a meta estipulada na COP29.
No entanto, para onde foi destinado todo esse valor? Nesse viés, dentro do setor de mitigação, o setor de mineração e produção de metais para a ação climática recebeu o maior volume de investimentos, totalizando US$ 102 milhões, seguido pelo setor de energia, com US$ 41.014 milhões. Quanto à adaptação, US$ 927 milhões foram destinados a projetos de recursos agrícolas e ecológicos. Paulatinamente, a região que mais recebeu financiamento climático foi a União Europeia, com US$ 45,22 milhões no total. Ainda quanto aos números observados, o instrumento financeiro mais utilizado para apoiar esses países foi o empréstimo baseado em políticas.
Historicamente, o Banco Mundial apresenta a maior contribuição histórica e lidera os investimentos em mitigação climática, enquanto o Banco Europeu de Investimento carrega alto volume na mobilização de capital privado. Dessa maneira, em conjunto, esses bancos são responsáveis por grande parte do crescimento observado no volume de investimentos.
Em suma, os Bancos Multilaterais têm desempenhado papel fundamental na corrida pela transição climática mundial. Entretanto, ainda se observa a tendência global de investir muito mais em mitigação, utilizando-se principalmente de empréstimos — mesmo que com políticas sociais ampliadas — para alcançar resultados palpáveis. Por fim, os dados contidos nos relatórios de alguns bancos multilaterais — a exemplo do BID — sobre projetos, valores e países que recebem apoio estarão disponíveis na nova atualização do Tracker do Centro de Financiamento Climático do Sul Global (CFC-GS).
Referências
BRASIL. Ministério da Fazenda. Bancos Multilaterais de Desenvolvimento. Brasília: Ministério da Fazenda, 2023.
BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO. Joint Report on Multilateral Development Banks Climate Finance 2025. Washington, DC: BID, 2025.
JOINT SUMMARY ON MULTILATERAL DEVELOPMENT BANKS CLIMATE FINANCE. Joint Summary on MDB Climate Finance 2024. Washington, DC: MDBs, 2024.