Por Luan Gloria (CFC-GS/UFPA)
As mudanças climáticas impulsionam o debate crucial sobre como conciliar a manutenção de economias ativamente produtivas e em crescimento constante com a preservação ambiental, delineando uma nova estrutura produtiva global. Sob a ótica da teoria econômica do crescimento, autores como Solow e Romer oferecem visões distintas sobre como o crescimento econômico sustentado pode ser alcançado. Solow argumenta que o crescimento se origina de fatores exógenos, como a interação e a transferência de tecnologia entre economias. Já Romer defende que o crescimento é impulsionado por vias internas, essencialmente pelo fomento à pesquisa e desenvolvimento (P&D).
O modelo de Solow, aplicado ao financiamento climático, pode observar a sustentabilidade como a preservação e modernização do capital nacional. As mudanças climáticas aceleram a depreciação do capital (destruição por desastres e obsolescência de tecnologia poluente), diminuindo o potencial de crescimento. O financiamento climático é o mecanismo para reverter essa perda, migrando do “capital poluente” para o “capital verde”. Ao estimular o progresso técnico (resíduo de Solow) com inovações de baixo carbono, permite atingir um novo estado estacionário de maior produtividade e bem-estar, superando os limites ambientais e a destruição física do aquecimento global.
No modelo de crescimento endógeno de Romer, o progresso tecnológico é resultado de decisões econômicas deliberadas, especialmente investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) que geram novas ideias, as quais não são rivais e produzem externalidades positivas. O financiamento climático se encaixa diretamente nesse arcabouço ao ampliar os recursos e os incentivos para a produção de inovação verde, reduzindo riscos e aumentando o retorno esperado de tecnologias limpas. Dessa forma, políticas climáticas deixam de ser neutras em relação ao crescimento e passam a influenciar permanentemente a taxa de crescimento de longo prazo.
Além disso, a inovação verde enfrenta uma dupla falha de mercado, a primeira é a externalidade do conhecimento, típica do modelo de Romer, e a externalidade ambiental associada às emissões de carbono. O financiamento climático atua como um mecanismo de correção dessas falhas ao direcionar capital humano e financeiro para P&D limpo, gerando “spillovers” tecnológicos e reduzindo custos futuros de mitigação. Assim, à luz do modelo de Romer, o financiamento climático não apenas viabiliza a transição para uma economia de baixo carbono, como também sustenta um padrão de crescimento econômico compatível com a sustentabilidade ambiental.
O registro de patentes é reconhecido como uma métrica incompleta para avaliar o avanço tecnológico de um país. A contagem de patentes inclui depósitos de residentes e não residentes. Essa distinção existe porque, ao buscarem proteção legal para suas invenções, os depositantes podem inflacionar os números de registro de uma nação. No entanto, um alto volume de registros nem sempre reflete um desenvolvimento tecnológico intrínseco e efetivo da própria sociedade em questão, conforme ilustrado na figura a seguir.
Figura 1: Distribuição de registro de patentes nos países em 2024.

Fonte: Organização Mundial da Propriedade Intelectual (2024).
A China, impulsionada por sua abordagem socioeconômica e sua crescente relevância tecnológica global, se destaca como o país com o maior número de depositantes de patentes, esse cenário é marcado por um número expressivo de residentes buscando proteção legal e um número menos significativo de não residentes. Em contraste, os Estados Unidos apresentam um padrão inverso, o registro de patentes por não residentes é maior, indicando que inventores estrangeiros buscam ativamente a proteção jurídica americana. Os demais países, por sua vez, seguem uma lógica semelhante à chinesa, mas com volumes de registros consideravelmente menores.
Em suma, o progresso tecnológico é crucial para garantir o crescimento econômico constante. No entanto, este avanço não é acidental, exigindo um esforço decisivo na criação das bases necessárias, o que implica priorizar o investimento em áreas como universidades, escolas técnicas e centros de produção de conhecimento. Neste contexto, o investimento climático se apresenta como um catalisador adicional desse progresso tecnológico, e que não será destinado exclusivamente aos meios que buscam reduzir o impacto ambiental, como em doses paliativas de um paciente já condenado, passando a apontar para soluções que visem atacar os problemas em seu cerne. Portanto, no novo paradigma socioeconômico e ambiental, o progresso tecnológico, como motor do crescimento econômico, exige uma atenção prioritária às tecnologias verdes.
REFERÊNCIAS
MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia: tradução da 5ª edição norte-americana. São Paulo: Cengage Learning, 2009.
QUEIROZ, Luiz. Patentes revelam que a Ásia assumiu a vanguarda da inovação. Capital Digital, 09 nov. 2025. Disponível em: https://capitaldigital.com.br/patentes-revelam-que-asia-assumiu-a-vanguarda-da-inovacao/. Acesso em: 12 jan. 2026.
ROMER, Paul. Paul Romer: [Sítio pessoal]. Disponível em: https://paulromer.net/. Acesso em: 09 jan. 2026.