CRESCIMENTO ECONÔMICO E POLUIÇÃO NO BRASIL: UMA ABORDAGEM PÓS-KALECKIANA

Douglas Alencar, Frederico Jayme Jr., Eduardo Strachman e Cláudio Puty.

Este estudo apresenta uma análise empírica das variáveis econômicas e ambientais que influenciam a dinâmica do investimento no Brasil entre 1990 e 2021. Utilizando dados de fontes reconhecidas, como IPEADATA, IBGE e SEEG, foram examinados indicadores-chave, incluindo investimento, taxa de utilização da capacidade, participação dos lucros e emissões de CO₂. Testes estatísticos indicaram que as séries são integradas de ordem um, o que permitiu a utilização de um modelo de Vetores Autorregressivos (VAR) com cinco defasagens, após a confirmação da estacionaridade nas primeiras diferenças por meio dos testes KPSS. O modelo VAR apresentou resíduos não normais, mas demonstrou homocedasticidade e estabilidade estrutural, assegurando a confiabilidade das inferências dinâmicas. A análise de resposta a impulso revelou que choques positivos na participação dos lucros impactam o investimento com efeito defasado e transitório, sugerindo restrições estruturais e riscos financeiros associados ao clima. Choques nas emissões de CO₂ causaram inicialmente uma reação negativa no investimento, seguida de recuperação, refletindo ajustes setoriais e incertezas regulatórias. Choques na taxa de utilização da capacidade induziram um aumento inicial no investimento, seguido por oscilações, evidenciando ajustes intertemporais e fricções financeiras. Os resultados enfatizam a complexa interação entre desempenho econômico e fatores ambientais, destacando a necessidade de políticas públicas que complementem os incentivos à lucratividade com investimentos verdes coordenados. Esta pesquisa contribui para a compreensão dos mecanismos econômicos sob restrições ambientais, alinhando-se à abordagem pós-kaleckiana e às preocupações contemporâneas com a transição para uma economia de baixo carbono.

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