Financiamento climático fornecido e mobilizado pelos países desenvolvidos: resultados de 2023 e 2024

Por Andressa Lima (CFC-GS/UFPA) O financiamento climático internacional destinado aos países em desenvolvimento voltou a crescer em 2024. Segundo o relatório Climate Finance Provided and Mobilised by Developed Countries in 2013-2024, publicado em 2026 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), os países desenvolvidos forneceram e mobilizaram US$ 136,7 bilhões para ações climáticas nos países em desenvolvimento no último ano analisado. O documento faz parte da série Climate Finance and the USD 100 Billion Goal e dá continuidade ao acompanhamento realizado pela OECD desde 2015, a pedido dos países doadores, sobre o progresso em direção ao compromisso estabelecido no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Esse compromisso previa que os países desenvolvidos mobilizassem coletivamente US$ 100 bilhões por ano para apoiar ações climáticas nos países em desenvolvimento, no contexto de ações significativas de mitigação e de transparência na implementação. A meta deveria ter sido alcançada originalmente em 2020 e, posteriormente, foi estendida até 2025. A edição de 2026 incorpora os dados de 2023 e 2024 à série histórica, permitindo observar não apenas a evolução do volume total de recursos, mas também sua composição, os instrumentos financeiros utilizados, a distribuição entre mitigação e adaptação, a mobilização de financiamento privado e o perfil dos países beneficiários. É importante considerar o alcance desses números. A própria OECD ressalta que eles não representam todo o financiamento destinado à ação climática nos países em desenvolvimento. A metodologia considera quatro componentes: financiamento climático público bilateral; financiamento público multilateral atribuível aos países desenvolvidos; créditos oficiais à exportação relacionados ao clima; e financiamento privado mobilizado por intervenções públicas. Não são contabilizados, por exemplo, os recursos públicos domésticos dos próprios países em desenvolvimento nem os investimentos privados realizados sem uma intervenção pública associada. O financiamento climático em 2023 e 2024 Um dos principais resultados apresentados pelo relatório é a manutenção do financiamento acima da meta anual de US$ 100 bilhões. Depois de atingir US$ 115,9 bilhões em 2022, primeiro ano em que o compromisso foi alcançado, o volume avançou para US$ 132,8 bilhões em 2023 e chegou a US$ 136,7 bilhões em 2024. A trajetória é significativa quando observada ao longo do período analisado. Em 2013, primeiro ano da série apresentada pela OECD, o financiamento climático contabilizado somava US$ 52,4 bilhões. Em 2021, havia alcançado US$ 89,6 bilhões. A partir de 2022, os valores anuais passaram a superar US$ 100 bilhões, embora a meta tenha sido alcançada dois anos depois do prazo originalmente estabelecido. Figura 1. Financiamento climático fornecido e mobilizado entre 2013 e 2024 (US$ bilhões). Fonte: OECD (2026), com base nos Relatórios Bienais à UNFCCC, estatísticas do OECD DAC e do Export Credit Group e informações complementares reportadas à OECD. A composição do financiamento climático A Figura 1 também permite observar a composição desses recursos. O financiamento climático público bilateral e multilateral continuou representando aproximadamente três quartos do total em 2023 e 2024. Em 2024, o financiamento público multilateral atribuível aos países desenvolvidos alcançou US$ 57,7 bilhões, ante US$ 54,1 bilhões em 2023. Já o financiamento público bilateral passou de US$ 50,2 bilhões em 2023 para US$ 43,9 bilhões em 2024. Somados, os fluxos públicos bilaterais e multilaterais chegaram a US$ 101,6 bilhões em 2024, ligeiramente abaixo dos US$ 104,3 bilhões registrados em 2023. Os créditos oficiais à exportação relacionados ao clima, que representam uma parcela menor do total, passaram de US$ 5,6 bilhões para US$ 4,6 bilhões. Dessa forma, embora o financiamento climático total tenha aumentado entre 2023 e 2024, esse crescimento não ocorreu de maneira uniforme entre seus diferentes componentes. O crescimento do financiamento privado mobilizado Uma das principais mudanças entre 2023 e 2024 ocorreu no financiamento privado mobilizado por intervenções públicas. O volume passou de US$ 22,9 bilhões para US$ 30,5 bilhões, crescimento de aproximadamente 33% e o maior aumento anual desse componente desde o início da série comparável, em 2016. Os bancos multilaterais de desenvolvimento tiveram participação importante nesse movimento. O financiamento privado mobilizado por essas instituições e atribuído aos países desenvolvidos aumentou de US$ 14,3 bilhões em 2023 para US$ 17,4 bilhões em 2024. Nos fundos climáticos multilaterais, o volume mais que dobrou entre os dois anos, chegando a US$ 4,5 bilhões. O relatório também chama atenção para a concentração do financiamento privado mobilizado em um número relativamente pequeno de grandes operações. Os 20 maiores projetos registrados em 2023 e 2024 responderam por quase um quarto do financiamento privado climático mobilizado nesses anos. Os valores agregados podem, portanto, ser significativamente influenciados pelo momento e pela escala de grandes operações. A distribuição entre os grupos de países também é desigual. Entre 2016 e 2024, 66% do financiamento privado mobilizado esteve concentrado em países de renda média, enquanto os países de baixa renda representaram apenas 3%. A evolução do financiamento para adaptação O financiamento destinado à adaptação alcançou US$ 33,6 bilhões em 2023 e US$ 34,7 bilhões em 2024. Apesar do crescimento observado ao longo da série histórica, a expansão recente foi relativamente moderada, de aproximadamente US$ 1 bilhão por ano entre 2022 e 2024. Mais de 90% do financiamento para adaptação em 2023 e 2024 continuou sendo proveniente de fontes públicas. O financiamento privado mobilizado para adaptação ficou em aproximadamente US$ 3 bilhões em ambos os anos. Figura 2. Financiamento para adaptação fornecido e mobilizado entre 2016 e 2024, por componente (US$ bilhões). Fonte: OECD (2026), com base nos Relatórios Bienais à UNFCCC, estatísticas do OECD DAC e do Export Credit Group e informações complementares reportadas à OECD. Esses números são particularmente relevantes diante do compromisso estabelecido no Pacto Climático de Glasgow de pelo menos duplicar, até 2025, o financiamento coletivo para adaptação em relação aos níveis de 2019. Considerando os valores de financiamento público utilizados pela OECD como referência, seria necessário um aumento adicional de US$ 5,8 bilhões, ou 18%, em 2025 para alcançar essa duplicação. Na composição temática geral, a adaptação respondeu por aproximadamente 25% do financiamento climático em 2023 e 2024. A mitigação continuou representando a maior parcela, chegando a US$ 87,3

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