Por Alcilene Farias (UFPA/CFC-GS)
No próximo mês, entre os dias 10 e 21 de novembro, Belém sediará a 30ª Conferência das Partes – COP 30 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O evento reunirá líderes, cientistas e ativistas para discutir e negociar ações necessárias ao combate da crise climática. A escolha de Belém como cidade-sede não é meramente simbólica; é uma forma de trazer a Amazônia para o centro das decisões e estratégias mundiais sobre o enfrentamento das mudanças climáticas. O Brasil, como anfitrião, assume um papel de destaque, reforçando seu compromisso com o multilateralismo e implementação de suas metas no âmbito do Acordo de Paris.
A COP 30 promete abordar uma gama diversificada de temas críticos, refletindo a complexidade e a urgência da agenda ambiental. Dentre esses temas, o financiamento climático destaca-se, visto que a mobilização de recursos financeiros continua sendo um dos maiores desafios para a ação climática global. Um relatório recente publicado pela World Weather Attribution – (WWA), mostrou que se as promessas atuais de redução de emissões forem totalmente implementadas, o aquecimento projetado neste século cairia de cerca de 4°C em 2015 para 2,6°C. No entanto, isso ainda resultaria em um planeta perigosamente quente, com 57 dias extras de calor por ano em comparação com os atuais 11 dias, podendo chegar a 114 dias extras em um cenário de 4°C. Embora sistemas de alerta precoce e planos de ação tenham se expandido, o financiamento limitado para adaptação mantém o progresso aquém do necessário, elevando os custos para saúde, trabalho e infraestrutura, principalmente para os mais vulneráveis. Portanto, é urgente aumentar a ambição global, implementar cortes profundos, rápidos e sustentados de emissões e fortalecer a adaptação para alcançar os objetivos do Acordo de Paris.
O Brasil tem se mostrado empenhado na busca de novos mecanismos para o alcance das metas do Acordo de Paris. Em discussões recentes na Pré-COP, o Círculo de Ministros de Finanças da COP 30, liderado pelo Ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, tem proposto iniciativas estratégicas para impulsionar a agenda climática, incluindo o Fundo Florestas para Sempre, a Coalizão Aberta para Integração dos Mercados de Carbono e a Supertaxonomia, voltadas a fortalecer investimentos verdes e mercados de carbono. Um relatório recente do grupo destacou desafios e recomendações práticas para expandir o financiamento climático, como ampliar fundos concessional e climáticos, reformar os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, criar plataformas nacionais para atrair investimentos sustentáveis, desenvolver instrumentos financeiros inovadores e fortalecer marcos regulatórios. O compromisso do Brasil de reduzir até 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035 reforça a relevância da COP 30 como oportunidade de alinhar ambições nacionais e globais.
Além das negociações formais, a COP 30, em Belém, busca deixar um legado tangível para a região amazônica e para o Brasil. A expectativa é que o evento impulsione a proteção florestal e o desenvolvimento sustentável local. Projetos de infraestrutura também fazem parte desse legado, visando melhorar a logística e o acesso na região. No cenário político, a proximidade da COP 30 já demonstra seu impacto: o Senado Federal, por exemplo, adiou a votação de projetos que flexibilizariam o licenciamento ambiental, temendo a reação popular e a incoerência com o discurso ambiental que o Brasil pretende apresentar ao mundo. Esse episódio evidencia a pressão internacional e a importância de alinhar as políticas internas aos compromissos climáticos globais. A COP 30, em Belém, constitui um evento de significância estratégica para o debate climático global. A escolha de Belém, na região amazônica, como sede, sublinha a urgência de ações definidas voltadas à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Para que o evento traga bons resultados, é fundamental que as discussões resultem em compromissos concretos, financiamento adequado e, acima de tudo, na implementação efetiva de políticas que garantam um futuro mais sustentável para todos, especialmente para os mais vulneráveis. A cooperação internacional emerge como um pilar essencial para enfrentar os desafios climáticos globais, exigindo o engajamento coletivo de todas as nações, pois é por meio de esforços conjuntos e da partilha de responsabilidades que será possível minimizar os efeitos catastróficos da crise ambiental que já afeta todo o planeta.