O BNDES NO FINANCIAMENTO DA TRANSIÇÃO CLIMÁTICA BRASILEIRA: TRAJETÓRIA, ESTRUTURA E DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS

Wallace Marcelino Pereira e Ana Clara dos Santos Cabral

O artigo analisa a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento da transição climática brasileira, com base na abordagem pós-keynesiana, considerando a evolução de sua capacidade de financiamento, a composição setorial e territorial dos recursos e, especificamente, o papel do Programa Fundo Clima. A metodologia utiliza dados do Portal de Dados Abertos do BNDES referentes ao período de 2002 a 2025 e, para o Fundo Clima, de 2013 a 2025. Foram examinadas os Desembolsos e Valores contratados. A partir das políticas operacionais, foi construído o recorte denominado “FinanciamentoVerde”, composto por instrumentos diretamente associados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, eficiência energética, biocombustíveis, florestas e bioeconomia, meio ambiente e saneamento. Os resultados identificam três fases na trajetória do BNDES: expansão até o início da década de 2010, forte retração após 2014 e recuperação a partir de 2022, ainda abaixo dos máximos históricos. O financiamento Verde ampliou sua participação recentemente. A infraestrutura concentrou a maior parcela dos recursos verdes, seguida pela indústria, enquanto o saneamento permaneceu como principal bloco temático no acumulado do período. Territorialmente, observou-se concentração dos recursos no Sudeste. O Fundo Clima tornou-se o principal vetor da expansão recente, respondendo por aproximadamente 60% dos desembolsos e das contratações verdes em 2025. Os resultados mostram o fortalecimento da agenda climática do BNDES, embora persistam desafios relacionados à ampliação da escala do financiamento e à redução das desigualdades territoriais no acesso aos recursos.

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