O FNE E O FINANCIAMENTO DA INDUSTRIALIZAÇÃO DO NORDESTE BRASILEIRO EM ANOS RECENTES

Márcia Diniz; Marcelo Diniz; André Luiz Silva; Jorge Eduardo Simões e Ivan Douglas Magno.

Este artigo analisa o papel do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) no contexto das políticas de desenvolvimento regional voltadas para o Nordeste brasileiro, considerando sua distribuição espacial por estado, entre áreas urbanas e rurais, bem como sua participação setorial e por porte dos empreendimentos beneficiados. O objetivo é avaliar em que medida a aplicação dos recursos do fundo tem contribuído para a diversificação da estrutura industrial nordestina e para potenciais processos de transformação estrutural da economia regional, verificando se a região vem ampliando sua diversificação produtiva e sua complexidade econômica relativa. Para tanto, realiza-se uma análise exploratória e descritiva da distribuição territorial e setorial dos recursos do FNE, buscando identificar evidências empíricas sobre sua contribuição para o processo de industrialização do Nordeste brasileiro, em consonância com os objetivos da Política Nacional de Desenvolvimento Regional, especialmente a partir da segunda metade da década de 1990. Adicionalmente, examina-se a associação entre a participação dos recursos do fundo e indicadores relacionados à capacidade de inovação, ao número de estabelecimentos industriais e ao emprego. Os resultados mostram correlações positivas entre a participação do FNE nos estados nordestinos e indicadores associados à inovação, à dinâmica empresarial e ao mercado de trabalho. Entretanto, as maiores correlações permanecem concentradas em segmentos industriais tradicionais e de menor intensidade tecnológica, sugerindo que, embora o fundo contribua para o fortalecimento da atividade produtiva regional, os avanços em direção a uma estrutura produtiva de maior complexidade econômica ainda permanecem como um desafio para a política de desenvolvimento regional.

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