Este trabalho analisa a distribuição das operações de crédito dos municípios brasileiros registradas no sistema PVL/STN (2002–2025), com ênfase no financiamento vinculado à agenda climática. Ancorado na literatura de federalismo fiscal, o estudo classifica as operações em quatro vínculos (clima direto, indireto, instrumental e não climático) e mobiliza indicadores de concentração (Gini, Lorenz, Top-10%), análises de persistência e de diversificação, e modelos de determinantes do acesso. Os resultados revelam dois circuitos distributivos paralelos: um crédito climático indireto, mais acessível (85,3% dos municípios; Gini 0,880) e um crédito climático direto, restrito, episódico e geograficamente concentrado (17,5% de acesso; Gini 0,985; 70% dos municípios acessam em um único ano). Municípios do Sudeste acessam o crédito direto a taxas várias vezes superiores às do Norte e do Nordeste, regiões de maior vulnerabilidade socioclimática. A evidência sugere que os programas federais de financiamento, em especial o PAC, atuaram como catalisadores temporários, sem gerar capacidade recorrente de acesso. Os modelos econométricos, restritos à subamostra de dados do Relatório de Gestão Fiscal (que concentra apenas 2% do crédito climático direto), indicam que os determinantes regionais predominam sobre os fatores fiscais nesse subgrupo, o que não deve ser generalizado ao universo de municípios.